Nos últimos anos, a volta gradual do modelo presencial de trabalho tem revelado uma realidade preocupante: muitas mães estão deixando o mercado.
Segundo um artigo do The Washington Post, essa saída não é fruto de uma decisão individual. É reflexo de um sistema que insiste em tratar o cuidado como responsabilidade exclusiva da mulher, sem oferecer o suporte coletivo necessário.
Na maioria das famílias, a responsabilidade pelo cuidado dos filhos ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. Quando a estrutura das empresas ignora essa realidade, o resultado é previsível: jornadas duplas, sobrecarga e, em muitos casos, a decisão forçada de abrir mão da carreira.
Tratar o cuidado como questão individual, e não coletiva, perpetua desigualdades. Enquanto isso, o talento, a criatividade e a liderança de milhares de mulheres seguem subaproveitados.
Para Carol Brandão, Atendimento na agência e mãe fora dela, conciliar maternidade e rotina de trabalho não é fácil. “Entre as responsabilidades do trabalho, também existe a rotina das minhas filhas, que exige presença e atenção. Muitas vezes sinto que o dia não tem horas suficientes para dar conta de tudo. Por isso, o trabalho remoto tem um papel fundamental na minha vida. Ele me permite estar mais presente no dia a dia delas, acompanhar pequenas conquistas, participar de momentos importantes e, ao mesmo tempo, manter minha carreira ativa.”
Além da sobrecarga, há outro dado que não pode ser ignorado: a diferença salarial entre homens e mulheres. Esse abismo financeiro reforça a percepção de que o trabalho da mulher vale menos, quando, na verdade, a diversidade de perspectivas deveria ser vista como ativo estratégico para qualquer empresa.
Oferecer condições reais para que mães permaneçam no mercado não é só justiça social, é inteligência de negócio. Enquanto as empresas funcionarem como se ninguém tivesse uma vida fora, o ciclo vai se repetir: mães entrando, segurando tudo, adoecendo e, no fim, saindo por pura exaustão.

Mais do que flexibilizar, buscamos reconhecer que ninguém é apenas trabalhador, são pessoas inteiras, com múltiplos papéis e necessidades, que merecem um ambiente de trabalho justo, saudável e inclusivo.
Por isso, escolhemos caminhar em outra direção. Nosso modelo é 100% remoto e com escala 4×3: quatro dias de trabalho e três de descanso. Essa estrutura amplia o tempo para que cada colaborador possa viver de forma equilibrada, conciliando carreira, família, estudos, saúde e descanso.
“Estar perto delas, mesmo com responsabilidades profissionais, é o equilíbrio que só o trabalho remoto consegue proporcionar. O remoto não é apenas uma questão de praticidade, é uma forma de tornar possível a carreira de muitas mulheres”, diz Carol.
Porque ser mãe nunca deveria significar ter de sair do mercado de trabalho. O futuro das empresas precisa ser construído com igualdade. E essa é uma responsabilidade coletiva!